Fichamento bibliográfico do texto: “A bíblia do marketing digital”

Capítulos I,II e III.

O livro A bíblia do marketing digital, escrito pelo Cláudio Torres, me fez abrir um pouco a mente para entender melhor uma ferramenta para todo publicitário: a internet.

Lendo os três primeiros capítulos, já pude notar que o livro realmente é bastante descritivo e é interessante a leitores de diversos níveis de conhecimento na área, pois ao mesmo tempo em que ele aprofunda o assunto ele também situa e explica conseguindo mostrar uma visão holística mas ao mesmo tempo bem analítica sobre os assuntos que aborda.

No capítulo I, Torres fala um pouco sobre a relação entre o crescimento da internet e o consumidor, ele situa o leitor sobre o cenário virtual que vivemos hoje e como isso teve repercussão no passado, trazendo uma visão histórica e nos ajudando a entender um pouco sobre as perspectivas mutáveis da internet. Assim, conseguimos entender como o consumidor passou a agir, tentando rastrear seu comportamento de compra através da internet. Vemos que esse meio é um fator essencial de busca de informação. O que antes só era possível compartilhar com os que estavam fisicamente ao seu redor, hoje em questão de segundos, se pode compartilhar com o mundo inteiro. O consumidor está ávido por informações, por compartilhar experiências (boas e ruins) e busca isso de forma constante dentro das redes digitais. Mesmo que uma empresa opte por não estar dentro dessas plataformas na internet, é preciso saber que o nome dela vai estar sendo falado, porém ela vai ficar de fora dessa discussão e nunca vai saber se o que é falado é bom ou ruim. Também é falado nesse capítulo do livro, sobre algumas ferramentas e recursos comuns na internet como os o de motores de busca (Google,Bing etc), sites, blogs e etc.

No Capítulo II, o autor dá uma perspectiva sobre os principais conceitos do marketing digital, ele detalha algumas terminologias, ambientes e plataformas explicando do amplo ao mais especifico. Entendi esse capítulo como uma forma de nivelar o “nível de conhecimento” do leitor para os capítulos seguintes. Torres ressalta a importância de mergulhar no mundo da internet para conhecer profundamente o seu funcionamento e macetes, pois só assim e possível entendê-la. Dentre as ferramentas, ele fala especificamente sobre o Google. Ele explica um pouco sobre algumas ferramentas do Google como Google Adwords, Google Adsense, Google Analytics e até sobre o Google Maps. Para quem só achava que o Google era uma ferramenta de busca, pôde perceber o quanto vai além. Ele também fala sobre a ideia de “o mundo do código aberto”, em que ele se refere a plataforma open source, ou softwares de código aberto, em que programadores do mundo todo podem contribuir para a melhoria de uma determinada ferramenta. Ele defende a ideia pois exalta que essa é uma forma de reduzir custos e aumentar a rapidez de desenvolvimento do sistema. Uma das ideias bastante defendidas por ele neste capítulo é da importância de investir no marketing digital e ver esse recurso como um instrumento do marketing e uma forma de entender melhor seu consumidor. Ele mostra área de oportunidades e dá exemplos como o publieditorial, o uso do Twitter para influenciar pessoas e o interesse na pesquisa do Google. Ele deixa bem claro o que o consumidor busca basicamente 4 coisas chaves na internet: relacionamento, informação, comunicação e diversão. Nesse modelo ele pensa que se pode aprofundar para analisar mais profundamente acerca de como esse consumidor se comporta. Ele também aborda seis ações estratégicas no meio do marketing digital: marketing de conteúdo, marketing de mídias sociais, e-mail marketing, marketing viral, publicidade online e pesquisa online. Apesar de abordar bastante os meios online ele ressalta que é preciso considerar que os consumidores não estão isolados somente nesse meio, e que este é interligado de maneira dinâmica a outras plataformas e mídias no qual não se tem um limite, uma fronteira, então em muitos casos é difícil separar de maneira exata uma ação estratégica da outra.

No capítulo III ele fala sobre o marketing de conteúdo, uma das 6 estratégias abordadas no capítulo anterior, só que agora de maneira muito aprofundada. Para quem pensava que apensas estar na internet seria o suficiente ele prova que não: o conteúdo é rei, e é extremamente importante para o sucesso da busca pelo sucesso na internet. Ele exalta a importância do texto dentro da plataforma e sua base histórica quando existiam apenas o texto e hiperlinks nos primórdios da rede. Outro destaque no capítulo é a relevância que o conteúdo vai ter para quem o lê. É preciso informar aquilo que as pessoas estão buscando, é preciso se preocupar em responder as principais perguntas do consumidor. Blogs e ferramentas de busca se tornaram as ferramentas essenciais para suprir esse tipo de necessidade e devem ser amplamente exploradas para ter o seu conteúdo relevante. Para ele, a chave é criar conteúdo do zero, genuíno e relevante para o consumidor e dar exatamente aquilo que ele busca, no momento que ele busca e que responda imediatamente todos os seus questionamentos. O ideal é que ele permaneça naquele ambiente até sanar aquilo que foi buscar. Tudo se concentra de quem é o público alvo, o que ele quer, que tipo de informação ele busca qual o perfil dessas pessoas e etc. Nesse capítulo ele passeia por diversas plataforma que tem foco no conteúdo como blogs, motores de busca e também demonstra na prática como administrar do começo ao fim.

Fichamento do livro: “Free: Grátis, o futuro dos preços.”

Assunto: O futuro dos preços.

Referência: ANDERSON, Chris. Free: grátis : o futuro dos preços. Rio de Janeiro, RJ: Elsevier, 2009.

PRÓLOGO

“Em novembro de 2008, os sobreviventes do grupo Monty Python original, aturdidos com a extensão da pirataria digital de seus vídeos, divulgaram um anúncio relativamente grave no YouTube:” (p. 01).

“Durante três anos, vocês, YouTubers, têm nos roubado, pegando dezenas de milhares de nossos vídeos e disponibilizando-os no YouTube. Agora, nós viramos a mesa. É hora de fazermos justiça com nossas próprias mãos.” (p. 01).

“[..]Mas como somos sujeitos extraordinariamente camaradas, descobrimos um jeito melhor de recuperar o que é nosso: lançamos nosso próprio canal do Monty Python no YouTube.” (p. 01).

“Estamos dando o que há de melhor: vídeo de alta qualidade diretamente de nossos cofres. Além disso, estamos pegando nossos clipes mais assistidos e fazendo o upload de novas versões de alta qualidade. E como se tudo isso não bastasse, estamos deixando que vocês vejam tudo absolutamente de graça.” (p. 01).

“Mas tem uma coisa que queremos em troca.” (p. 01).

“Queremos que vocês cliquem nos links, comprem nossos filmes e programas na televisão e reduzam nossa dor e indignação por termos sido roubados durante todos esses anos.“ (p. 02).

“Três meses depois, os resultados desse radical experimento foram divulgados. Os DVDs do Monty Python decolaram para o segundo lugar na lista de filmes e programas de televisão mais vendidos na Amazon, e as vendas aumentaram 23.000%.” (p. 02).

“O Grátis funcionou, e funcionou de forma brilhante. Mais de dois milhões de pessoas  assistiram aos clipes no YouTube à medida que o boca a boca se espalhava e os pais apresentavam os fi lhos ao Cavaleiro Negro e ao Papagaio Morto. […] Em resposta, vídeos, mashups e remixes se espalharam e uma nova geração aprendeu o significado de “Coelho Assassino”. E tudo isso não custou basicamente nada ao Monty Python, já que o YouTube pagou por todos os custos de banda larga e armazenamento.” (p. 02).

“[…] Existem inúmeros outros casos exatamente como esse on-line, em que praticamente tudo é oferecido de graça em alguma versão com a esperança de vender alguma coisa – ou, com ainda mais frequência, sem qualquer expectativa de pagamento.” (p. 02).

“Aqui reside o paradoxo do Grátis: as pessoas estão ganhando muito dinheiro sem cobrar nada. […] Como isso aconteceu e para onde nos levará?” (p. 03).

“Essa é a questão central deste livro.” (p. 03).

“[…] O abundante mercado da cauda longa foi possibilitado pelo ilimitado ‘espaço de prateleira’ da Internet, que é o primeiro sistema de distribuição da história tão apropriado para os nichos quanto para as massas, tanto para o obscuro quanto para a tendência dominante. O resultado foi o nascimento de uma nova cultura radicalmente diversificada e uma ameaça às instituições da cultura existente, da mídia de tendência dominante às  gravadoras.” (p. 03).

“[…] Os ‘custos marginais’ praticamente inexistentes da distribuição digital […] nos permitem uma utilização indiscriminada. […] E dessa competição aberta a todos, surgiu o milagre da Web atual, o maior repositório de conhecimento, experiência e expressão humana que o mundo já viu. […] Além disso, esse ‘grátis’ não era apenas um artifício de marketing como as amostras grátis e os brindes no varejo tradicional com os quais estamos acostumados. A maioria de nós depende de um ou mais serviços do Google todos os dias, mas isso nunca é cobrado em nossos cartões de crédito.” (p. 03).

“[…] De alguma forma, uma economia surgiu em torno do Grátis antes que o modelo econômico pudesse descrevê-lo.” (p. 04).

“[…] O Grátis que surgiu na última década é diferente do Grátis que veio antes, mas o como e o porquê raramente são explorados. Além disso, o Grátis de hoje está cheio de contradições flagrantes: é possível ganhar dinheiro dando coisas de graça. […] Algumas vezes, você recebe mais do que paga.” (p. 04).

“Foi divertido escrever este livro. […] Fiz um brainstorm com meus editores sobre as várias formas de distribuir este livro de graça na maioria de suas formas, ao mesmo tempo em que pensávamos em uma alternativa para que todas as pessoas que ajudaram a produzi-lo fossem pagas.” (p. 04).

“[…] Este livro se baseia mais em histórias e narrativas e é tanto sobre o passado do Grátis como sobre seu futuro. Minhas pesquisas me levaram tanto a arquivos e textos de psicologia do século XVIII como aos mais recentes fenômenos na Web.” (p. 04).

“[…] Correndo o risco de ser acusado de preconceito com base na idade, deparei com dois grupos de céticos: as pessoas com mais de 30 anos e aquelas com menos de 30 anos. Os críticos mais velhos, que cresceram com o Grátis do século XX, tinham motivos para suspeitar: com certeza, o ‘grátis’ não é grátis – nós pagaremos por isso mais cedo ou mais tarde.” (p. 05).

“Os críticos mais jovens tiveram uma reação diferente […]. Eles internalizaram a dinâmica de mercado sutil da economia do custo marginal quase inexistente, da mesma forma que nós internalizamos a mecânica newtoniana quando aprendemos a pegar uma bola. O fato de estarmos criando uma economia global em torno do preço zero parecia tão óbvio que mal chegava a ser notado.” (p. 05).

“[…] O Grátis não é novo, mas está mudando. E isso está acontecendo de maneiras que nos forçam a repensar algumas de nossas premissas mais básicas em relação ao comportamento humano e aos incentivos econômicos.” (p. 05).

“As pessoas que compreenderem o novo Grátis dominarão os mercados de amanhã e abalarão os mercados de hoje – na verdade, elas já estão fazendo isso.” (p. 05).

CAPÍTULO 1 

“O NASCIMENTO DO GRÁTIS”

“Em 1895, Pearle Wait, um carpinteiro de LeRoy, Nova York, dedicado nas horas vagas a empacotar remédios patenteados, estava sentado à sua mesa de cozinha cutucando uma tigela de gelatina. Vinha querendo entrar no então novo negócio de alimentos embalados e achava que a gelatina seria um sucesso se ao menos ele conseguisse  descobrir como torná-la mais atrativa. Apesar de fabricantes de cola estarem produzindo a gelatina durante décadas como um subproduto do processamento de carne de animais, ela ainda não era popular com os consumidores americanos. Por um bom motivo: era trabalho demais por tão pouco.” (p. 07 e 08).

“Wait se perguntava se não haveria um jeito de popularizar a gelatina. […] A gelatina assumiu a cor e o sabor das frutas – laranja, limão, cereja e morango –, criando algo com aparência, aroma e sabor atrativos. Colorida, transparente e divertida, a gelatina era um deleite capaz de trazer trepidação translúcida e divertida a quase qualquer refeição. Para distanciar ainda mais o produto de suas origens no matadouro, sua esposa, May, o rebatizou de Jell-O. E o produto tinha tudo para ser um sucesso.” (p. 08).

“Mas não foi. O Jell-O era um alimento estranho demais e uma marca desconhecida demais para os consumidores da virada do século.” (p. 08).

“[…] Ele acabou desistindo em 1899 e vendeu a marca registrada – o nome, com hífen e tudo – a Orator Frank Woodward, que morava na mesma cidade.” (p. 08).

“Woodward era um vendedor nato e morava no lugar certo. A cidade de LeRoy se tornara uma espécie de incubadora de produtos do século XIX, mais conhecida por seus fabricantes de remédios patenteados.” (p. 08).

“Mas até a empresa de Woodward, a Genesee Pure Food Company, teve dificuldades de encontrar um mercado para a gelatina em pó. […] As vendas do novo produto eram tão baixas e desanimadoras que, em um dia cinzento, diante de uma enorme pilha de caixas encalhadas de Jell-O, Woodward ofereceu a Nico todo o negócio por $35. Nico recusou.” (p. 08 e 09).

“O maior problema era que os consumidores não entendiam o produto ou não sabiam o que podiam fazer com ele. E sem demanda dos consumidores, os comerciantes se recusavam a tê-lo em estoque. […] Woodward pensou que um livro de receitas poderia ajudar a criar demanda pelo Jell-O também, mas como distribuir os livros? Afinal, ninguém estava comprando as caixas.” (p. 09).

“Então, em 1902, Woodward e seu diretor de marketing, William E. Humelbaugh tentaram uma nova abordagem. Para começar, eles elaboraram um anúncio de 7,5cm para o Ladies’ Home Journal, ao custo de $336. Com bastante otimismo, o anúncio proclamava o Jell-O como “A Sobremesa Mais Famosa da América” e explicava as vantagens do produto: essa nova sobremesa “pode ser servida com o simples acréscimo de chantilly ou creme de ovos.” (p. 09).

“Então, para ilustrar todas essas ricas e variadas combinações, a Genesee imprimiu dezenas de milhares de panfl etos com receitas do Jell-O e os entregou a seus vende- dores para distribuí-los de graça às donas de casa.” (p. 09).

“Depois de entupir uma cidade com os livretos, os vendedores procuravam os comerciantes locais e diziam que eles estavam prestes a ver uma onda de consumidores pedindo um novo produto chamado Jell-O e os aconselhando a ter o produto em  estoque.” (p. 09).

“Em 1904, a campanha se transformara em um enorme sucesso. Dois anos mais tarde, o Jell-O atingiu a marca de um milhão de dólares em vendas anuais. […] Em alguns anos, a Genesee imprimiu nada menos que 15 milhões dos livros gratuitos e, nos primeiros 25 anos da empresa, imprimiu a estimativa de um quarto de bilhão de livros de receitas gratuitas e os distribuiu porta a porta por todo o país.” (p. 09 e 10).

“Woodward sabia que ‘grátis’ é uma palavra com grande capacidade de alterar a psicologia do consumidor, criar novos mercados, abalar mercados antigos e tornar qualquer produto mais atrativo. […] Grátis só significava que a trajetória do produto à receita era indireta, algo que viria a ser consagrado no manual de estratégia do varejo como o conceito do preço ‘isca’.” (p. 10)

“KING GILETTE”

“Em alguns anos, a Genesee imprimiu nada menos que 15 milhões dos livros gratuitos e, nos primeiros 25 anos da empresa, imprimiu a estimativa de um quarto de bilhão de livros de receitas gratuitas e os distribuiu porta a porta por todo o país. […] Em alguns anos, a Genesee imprimiu nada menos que 15 milhões dos livros gratuitos e, nos primeiros 25 anos da empresa, imprimiu a estimativa de um quarto de bilhão de livros de receitas gratuitas e os distribuiu porta a porta por todo o país.” (p. 10).

“Um dia, enquanto fazia a barba com uma navalha tão gasta que não podia mais ser afiada, ele teve a ideia. E se a navalha pudesse ser feita com uma fina lâmina de metal? Em vez de perder tempo afiando as lâminas, os homens a descartariam quando elas perdessem o fi o. Alguns anos de experimentação metalúrgica mais tarde, nasceu o aparelho de barbear seguro e descartável.” (p. 10).

“[…] Ao longo das duas décadas posteriores, tentou todos os artifícios de marketing em que conseguiu pensar. Colocou o próprio rosto na embalagem, transformando-se em uma personalidade lendária e – algumas pessoas acreditavam – fictícia.[…] Barbeadores eram vendidos com praticamente tudo, desde chicletes da Wrigley a pacotes de café, chá, temperos e marshmallows.” (p. 11).

“Ao vender barato a parceiros que davam os aparelhos de barbear de graça, que, sozinhos, eram inúteis, ele estava criando demanda por lâminas descartáveis. […] Uma vez que o cliente se acostumava com as lâminas descartáveis, Gillette tinha um cliente diário para a vida inteira.” (p. 11).

“Alguns bilhões de lâminas mais tarde, esse modelo de negócios passou a fundamentar setores inteiros: dê o telefone celular, venda o plano mensal; faça o console de Video-games ser barato e venda jogos caros; instale sem custo máquinas de café sofisticadas em escritórios para vender caros sachês de café.” (p. 11).

“Surgindo com esses experimentos no início do século XX, o Grátis abasteceu uma revolução do consumidor que definiu os 100 anos subsequentes. A ascensão da  indústria publicitária e a chegada do supermercado fizeram da psicologia do consumidor uma ciência e do Grátis, a ferramenta preferida.” (p. 11).

O GRÁTIS NO SÉCULO XXI”

“Agora, no início do século XXI, estamos inventando uma nova forma de Grátis que definirá a próxima era tão profundamente quanto a anterior. […] Ele é impulsionado por uma extraordinária nova capacidade de reduzir os custos dos bens e serviços a quase zero […], o Grátis deste século representa um modelo econômico completamente novo.” (p. 12).

“Essa nova forma de Grátis se baseia na economia de bits, não de átomos. Uma qualidade singular da era digital é que, uma vez que algo se transforma em um produto digital, inevitavelmente passa a ser grátis – em termos de custo, com certeza, e muitas vezes em termos de preço.” (p. 12).

“Na economia dos átomos – em outras palavras, a maioria das coisas que nos cercam –, tudo tende a ser mais caro com o tempo. Mas na economia dos bits, que é o mundo on-line, as coisas ficam mais baratas. A economia dos átomos é inflacionária, enquanto a economia dos bits é deflacionária.” (p. 12).

“O século XX representou, em grande parte, uma economia dos átomos. O século XXI será igualmente uma economia dos bits. Qualquer item grátis na economia dos átomos deve ser pago por algum outro item, e é por isso que o Grátis tradicional cheira tanto a uma isca – você está pagando, de uma forma ou de outra. […] As pessoas têm motivos para suspeitar do Grátis na economia dos átomos e para confiar no Grátis na economia dos bits. Intuitivamente, elas percebem a diferença entre as duas economias e entendem por que o Grátis funciona tão bem on-line.” (p. 12).

“A ascensão da ‘freeconomics’, a economia do Grátis, está sendo abastecida pelas tecnologias da era digital.” (p. 13)

“[…]Mais cedo ou mais tarde, toda empresa precisará descobrir formas de utilizar o Grátis ou competir com o Grátis, de uma forma ou de outra.” (p. 14).

“Para começar, analisaremos a história do Grátis e por que ele tem tanto poder sobre nossas escolhas. Em seguida, veremos como a economia digital revolucionou o Grátis, transformando-o de um artifício de marketing em uma força econômica, incluindo os novos modelos de negócios que isso possibilita. Por fim, mergulharemos nos princípios fundamentais da economia do Grátis: como funciona, onde atua e por que é tão incompreendida e temida. Mas para começar, o que “grátis” realmente significa?” (p. 14)

FIM

Fichamento do livro “a Cauda longa: do mercado de massa para o mercado de nicho.”

Assunto: A cauda Longa

Referência: ANDERSON, Chris. A cauda longa: do mercado de massa para o mercado de nicho. Rio de Janeiro, RJ: Elsevier, 2006. 240 p.

Fichamento por citação dos capítulos 1 e 5.

CAPÍTULO I

“A HarperCollins lançou às pressas nova edição do livro de Joe Simpson para atender à demanda. As livrarias começaram a promovê-lo ao lado de No ar rarefeito e as vendas se mantiveram em ascensão. Em

princípios de 2004, a IFC Films lançou um docudrama sobre a história, também elogiado pela crítica.

Pouco depois, ela publicou nova edição revisada do livro, que passou 14 semanas na lista dos best-sellers

do New York Times. Em meados de 2004, Tocando o vazio vendia mais do dobro de No ar rarefeito.”

“O que aconteceu? Divulgação boca a boca online. Por ocasião do lançamento de No ar rarefeito, alguns leitores enviaram resenhas para a Amazon.com, apontando as semelhanças com o então menos conhecido Tocando o vazio, que cobriram de elogios. Outros compradores leram essas resenhas, verificaram no site o livro mais antigo e o incluíram em seus carrinhos de compra. Em breve, o software da livraria online identificou padrões nos comportamentos de compra—”Os leitores que compravam No ar rarefeito também adquiriam Tocando o vazio”—e começou a recomendar os dois como par. As pessoas aceitaram a sugestão, demonstraram entusiasmo pelos livros, escreveram resenhas ainda mais empolgadas — edeflagrou-se um loop de feedback positivo.”

“O mais notável em tudo isso é que, quando o livro de Krakauer chegou às prateleiras, o de Simpson estava praticamente esgotado. Uma década atrás, os leitores de Krakauer nunca teriam tomado conhecimento do livro de Simpson — e, se por acaso soubessem de sua existência, não teriam como encontrá-lo.”

“Os consumidores estão mergulhando de cabeça nos catálogos, para vasculhar a longa lista de títulos disponíveis, muito além do que é oferecido na Blockbuster Vídeo e na Tower Records. E quanto mais descobrem, mais gostam da novidade. A medida que se afastam dos caminhos conhecidos, concluem aos poucos que suas preferências não são tão convencionais quanto supunham (ou foram induzidos a acreditar pelo marketing, pela cultura de hits ou simplesmente pela falta de alternativas).”

“Os dados sobre vendas e as tendências desses serviços e de outros semelhantes revelam que a economia emergente do entretenimento digital será radicalmente diferente da que caracterizava o mercado de massa. Se a indústria do entretenimento no século XX baseava-se em hits, a do século XXI se concentrará com a mesma intensidade em nichos.”

“A TIRANIA DA LOCALIDADE”

“O principal problema é a necessidade de encontrar públicos locais. A maioria dos cinemas não exibirá um filme se ele não for capaz de atrair pelo menos 1.500 pessoas em duas semanas. A receita daí decorrente é o mínimo necessário para cobrir os custos. Em geral, as lojas de CDs precisam vender pelo menos quatro exemplares de CD por ano para que compense mantê-lo em estoque — o custo de pouco mais de um centímetro em espaço de prateleira. O mesmo se aplica às lojas de aluguéis de DVDs, às lojas de DVDs, às livrarias e às bancas de jornal.”

“Outra restrição do mundo físico é a física em si. O espectro das ondas de rádio comporta apenas algumas emissoras e o cabo coaxial admite somente tantos canais de TV. E, evidentemente, as programações podem estender-se por não mais do que 24 horas por dia. A maldição das tecnologias de broadcast é serem consumidoras perdulárias de recursos limitados. O resultado é mais um exemplo da necessidade de agregar grandes audiências em áreas geográficas limitadas — outra grande barreira que só é superada por pequena fração dos novos conteúdos.”

“No último século, a indústria do entretenimento encontrou uma solução fácil para essas restrições: o foco no lançamento de grandes sucessos. Afinal, os hits enchem cinemas, não param nas prateleiras e mantêm ouvintes e espectadores sem mexer nos dials ou nos controles remotos […].Os sociólogos dirão que os hits são inerentes à psicologia humana — que são o efeito da combinação de conformismo e divulgação boca a boca. E, sem dúvida, boa parte dos hits fazem jus à fama: músicas arrebatadoras, filmes inspiradores e livros instigantes são capazes de atrair grande público.”

“A economia movida a hits, que analisaremos com mais profundidade nos próximos capítulos, é produto de uma era em que não havia espaço suficiente para oferecer tudo a todos: não se contava com bastantes prateleiras para todos os CDs, DVDs e videogames; com bastantes telas para todos os filmes disponíveis; com bastantes canais para todos os programas de televisão; com bastantes ondas de rádio para tocar todas as músicas; e muito menos bastantes horas no dia para espremer todas essas coisas em escaninhos predeterminados.”

“Esse é o mundo da escassez. Agora, com a distribuição e o varejo online, estamos ingressando no mundo da abundância. As diferenças são profundas.”

“MERCADOS SEM FIM”

“Quando se lançam num gráfico as estatísticas mensais da Rhapsody, obtém-se uma curva de demanda parecida com a de qualquer loja: enorme procura pelas principais faixas, a qual despenca abruptamente e se estende numa cauda cada vez mais baixa, abrangendo as músicas menos populares.”

“Logo se percebe que todas as ações parecem concentrar-se num número minúsculo de faixas, no lado esquerdo do gráfico, junto ao eixo vertical. Até aqui, nenhuma surpresa.”

“Em resumo, essa é a maneira como encarávamos o mercado no século passado. Cada varejista tem seu próprio limite econômico, mas todos definem algum ponto de corte em seus estoques. O que se espera que venda uma quantidade mínima é mantido em estoque; o resto fica fora. Em nossa cultura movida a sucessos, as pessoas se concentram obsessivamente no lado esquerdo da curva, na tentativa de adivinhar o que se aglomerará nesse pequeno espaço.”

“Depois de fixarmos o olhar durante um século no lado esquerdo da curva, viremos a cabeça para a direita […]. você observará duas coisas.”

“Primeiro, a linha não está bem em zero. Essa é a impressão inicial porque os sucessos comprimiram a escala vertical. Para conseguir uma visão melhor dos nichos, aproximemo-nos um pouco e olhemos além dos mais vendidos. O gráfico seguinte mostra outro segmento da curva mais à direita, da 25.000 a – à 10.000a faixa. Mudei a escala horizontal para que a linha não se perdesse na base do gráfico. Como se vê, ainda estamos falando de volumes  significativos.”

“[…] Aproximemo-nos um pouco mais e vasculhemos a curva. Desta vez, checaremos à extremidade final da cauda: posições 100 mil a 800 mil, a área das músicas que não são encontradas em nenhuma loja, a não ser nas mais especializadas.”

“Individualmente, nenhuma dessas músicas é popular, mas elas são tantas que, no conjunto, compõem um mercado significativo.” “O mais extraordinário é que se venderá praticamente cada uma dessas faixas. Contudo, para varejistas online, como Rhapsody, o mercado é aparentemente infinito. Sempre há alguém que baixa, pelo menos uma vez por mês, não só alguma de suas 60 mil faixas mais vendidas, mas também outras de suas 100, 200 ou 400 mil faixas principais — e até as 600 mil, 900 mil faixas mais importantes, e ainda mais do que isso.”

“E assim se forma a Cauda Longa.”

“Os nichos chegam às centenas, gêneros, dentro de gêneros, dentro de gêneros (imagine toda uma grande loja de CDs inteiramente dedicada às bandas de cabeludos da década de 1980 (hair hands) ou a músicas ambientais rítmicas (ambient dub)). Também há bandas estrangeiras, cujos preços as tornavam inacessíveis nas prateleiras de importados, e bandas obscuras ou até etiquetas ainda mais desconhecidas – muitas das quais não têm força suficiente para entrar nas grandes lojas.”

“Ah, sim, também existe muito lixo na Cauda Longa. No entanto, mais uma vez, também se encontra muita porcaria até nos melhores álbuns, intercaladas entre as poucas faixas que tocam no rádio.”

“O verdadeiramente espantoso sobre a Cauda Longa é seu tamanho. Mais uma vez, quando se combina quantidade suficiente de não-hits, se está de fato criando um mercado que rivaliza com o dos hits. […]Kevin Laws, capitalista de risco e ex-consultor da indústria de música, assim se manifesta: “O dinheiro de verdade está nas menores vendas.” O mesmo se aplica a outros mercados de Cauda Longa.”

“Quando se pensa no assunto, a maioria dos negócios de Internet bem-sucedidos de alguma maneira explora a Cauda Longa. O Google, por exemplo, ganha boa parte de seu dinheiro não com grandes empresas anunciantes, mas com a propaganda de pequenos negócios (a Cauda Longa da propaganda).”

“Ao superar as limitações da geografia e da escala, empresas como essas não só expandem seus mercados, mas também, o mais importante, descobrem outros mercados inteiramente novos. Além disso, em todos os casos, esses mercados que se situam fora do alcance dos varejistas físicos se revelaram muito maiores do que seria de esperar — e se tornam cada vez mais vastos.”

“A iniciativa de aumentar em muito as escolhas pareceu liberar a demanda por novas opções. […] Em outras palavras, a parte de crescimento mais acelerado de seus negócios é a venda de produtos que não estão disponíveis nas lojas de varejo físicas tradicionais.”

“Esses novos negócios com espaço infinito nas prateleiras efetivamente aprenderam as lições da nova matemática: um número muitíssimo grande (os produtos que se situam na Cauda Longa) multiplicado por um número relativamente pequeno (os volumes de vendas de cada um) ainda é igual a um número muito grande.”

“A MAIORIA OCULTA”

“Uma maneira de raciocinar sobre as diferenças entre as escolhas limitadas de ontem e a abundância de hoje é comparar nossa cultura com um oceano em que só aflorassem na superfície as ilhas de sucessos. Nele se avistam uma ilha de músicas feita apenas das mais ouvidas nas paradas de sucesso, uma ilha de filmes composta somente de campeões de bilheteria, um arquipélago de programas populares de TV do horário nobre e assim por diante.”

“As ilhas representam os produtos que são bastante populares para erguer-se além da superfície e, portanto, lucrativos o suficiente para serem oferecidos por meio de canais de distribuição com capacidade escassa, ou seja, o espaço de prateleira da maioria dos grandes varejistas. Perscrute o horizonte cultural e o que se destaca são os picos de popularidade elevando-se acima das ondas.”

“Porém, as ilhas são, na verdade, apenas os cumes de grandes montanhas subterrâneas. Quando o custo de distribuição cai, é como se o nível da água baixasse no oceano. De repente,  despontam na superfície áreas até então submersas. E o que está abaixo da linha d’água é muito maior do que à tona.”

“Quando se é capaz de reduzir drasticamente os custos de interligar a oferta e a demanda, mudam-se não só os números, mas toda a natureza do mercado. E não se trata apenas de mudança quantitativa, mas, sobretudo, de transformação qualitativa. O novo acesso aos nichos revela demanda latente por conteúdo não-comercial. Então, à medida que a demanda se desloca para os nichos, a economia do fornecimento melhora ainda mais, e assim por diante, criando um loop de feedback positivo, que metamorfoseará setores inteiros — e a cultura — nas próximas décadas.”

CAPÍTULO V – OS NOVOS PRODUTORES

“NUNCA SUBESTIME O PODER DE UM MI DE AMADORES COM AS CHAVES DA FÁBRICA”

“Os astrofísicos já teorizavam havia muito tempo que quando uma estrela explode boa parte de sua energia é liberada sob a forma de neutrinos — partículas subatômicas de baixa massa que voam através dos planetas como balas através de tecido de papel. Parte da teoria é que na primeira fase desse tipo de explosão a única evidência observável é uma chuva dessas partículas, demorando mais algumas horas para que o inferno se manifeste sob a forma de luz visível. Em consequência, os cientistas previram que quando uma estrela se transforma em supernova perto de nosso sistema solar, detectaríamos os neutrinos cerca de três horas antes de percebermos a explosão no espectro visível.”

“A maneira de testar essa correlação entre neutrinos e luz visível era fazer ambas as observações e medir a diferença de tempo entre elas. Mas o problema referente à parte óptica dessa observação conjugada era a necessidade de olhar para a área certa do céu. […]Por causa de seu layout esférico, a parede detectora de Kamiokande era capaz de registrar os neutrinos que penetravam na atmosfera terrestre, qualquer que fosse a sua direção. No entanto, para perceber a explosão com luz visível, o telescópio deveria estar apontado exatamente para o lugar certo, na hora certa. E não precisa dizer que havia muito firmamento para ser vasculhado.”

“Simplesmente não havia quantidade suficiente de astrônomos profissionais capaz de cobrir um pedaço do céu bastante grande para garantir alguma chance de localizar o fenômeno. Mas existiam milhares de astrônomos amadores que ficariam muito felizes em participar dessa iniciativa. Munidos de telescópios dobsonianos computadorizados, relativamente baratos, que permitem aberturas muito amplas, que não raro chegam a 12pol, mesmo em aparelhos com menos de 1,5 metro, e que também contam com sensores CCD muito sensíveis, os atuais astrônomos amadores podem fotografar o universo com mais exatidão e nitidez do que os astrônomos profissionais de um século atrás, cujos telescópios eram do tamanho de uma casa.”

“A primeira pessoa a ver a Supernova 1987A foi um observador que se situava em algum ponto entre amador e profissional. Ian Shelton, canadense, que abandonara o curso de pós-graduação, tomava conta de um observatório nos Andes chilenos, em troca de tempo no telescópio de 24 polegadas, quando não estivesse sendo usado pelos astrônomos acadêmicos.  Uma dessas horas vagas ocorreu na noite de 23 de fevereiro, em que ventava muito. Naquela noite, Shelton decidiu usar o telescópio para explorar durante três horas a Grande Nebulosa de Magalhães.”

“Ocorre que exatamente 168 mil anos antes, a precisamente 168 mil anos-luz de distância, uma estrela explodira nas bordas da Nebulosa de Tarântula. No entanto, vista do planeta Terra e aos olhos de Shelton, a explosão parecia estar ocorrendo exatamente naquele momento: um enorme ponto luminoso de repente surgiu num canto da nebulosa, onde nada significativo havia antes. […] Sem dúvida, lá estava ela: a primeira supernova testemunhada a olho nu desde 1604.”

“Até aqui, a teoria está certa. Contudo, será que ela poderia ter aparecido mesmo ainda mais cedo, antes de Shelton começar sua observação?”

“Na Nova Zelândia, Albert Jones, veterano que acumulara mais de meio milhão de observações, vasculhara com cuidado a Nebulosa de Tarântula, às 9h30, e não percebera nada de anormal. Robert McNaught, outro amador, fotografou a explosão as 10h30, na Austrália, confirmando a hora de Shelton. Assim, a luz surgiu em algum momento entre 9h30 e 10h.”

“Foi assim que aconteceu uma das maiores descobertas astronômicas do século XX. Uma teoria básica sobre o funcionamento do universo foi confirmada graças a amadores na Nova Zelândia e na Austrália, a um amador que tentava virar profissional no Chile e a físicos profissionais nos EUA e no Japão. Quando um trabalho científico finalmente anunciou a descoberta para o mundo, todos compartilharam sua autoria.”

“Demos, centro de altos estudos inglês, descreveu a ocorrência como momento decisivo no advento da era “Pro-Am”, época em que profissionais e amadores trabalham lado a lado: “A astronomia era praticada em institutos de pesquisa da ‘grande ciência’. […] Muitos amadores continuam a trabalhar sozinhos e muitos profissionais ainda se encafuam em suas instituições acadêmicas. Mas surgiram redes de pesquisa global, interligando profissionais e amadores com interesses comuns em estrelas eruptivas, cometas e asteroides.”

“As tecnologias que possibilitaram esse movimento Pro-Am em astronomia são a óptica dobsoniana, CCDs e a Internet como mecanismo para a troca de informações. Essas ferramentas inflaram as fileiras dos astrônomos amadores e aumentaram em muito seu impacto. Ao longo das últimas duas décadas, a astronomia se transformou em um dos campos mais democratizados da ciência, em parte porque ficou muito claro o importante papel desempenhado pelos amadores.”

“A astronomia é uma área de atuação natural para o trabalho voluntário. Mais uma vez, a dificuldade em observar o firmamento é olhar para o lugar certo, no momento certo, para assistir aos fenômenos mais interessantes, como asteroides ou evolução estelar. E menos uma questão do tamanho e do preço do telescópio e mais uma questão de quantos olhares estão voltados para o céu, com os instrumentos certos, em determinado instante.”

“Evidentemente, os Pro-Ams estão sujeitos a limites. A participação deles consiste, principalmente, em colher dados, não em criar novas teorias sobre astrofísica. Embora, às vezes, não consigam analisar de maneira adequada os dados que coletaram, sua participação na área parece assegurada. Como John Lankford, historiador da ciência, afirmou na revista Sky & Telescope, a bíblia dos astrônomos amadores dos EUA, ‘sempre restará alguma divisão de trabalho entre profissionais e amadores, mas, no futuro, será cada vez mais difícil distinguir os dois grupos’.”

“DEMOCRATIZAÇÃO DAS FERRAMENTAS DE PRODUÇÃO”

“O novo no caso é a maneira como é feito, não o conceito em si. Com efeito, Karl Marx foi, talvez, o primeiro profeta da economia Pro-Am. Como observa o Demos, Marx sustentou em A ideologia alemã, escrito entre 1845 e 1847, que o trabalhe.) forçado, não-espontâneo e assalariado seria superado pela atividade autônoma. Finalmente, esperava ele, chegaria um tempo em que a “produção material criará condições para que todas as pessoas disponham de tempo ocioso para o exercício de outras atividades.”

“Prosseguindo com o vocabulário de Marx, os Pro-Ams são uma criação da primeira força da Cauda Longa, a democratização das ferramentas de produção.”

“Da mesma maneira como a guitarra elétrica e a garagem democratizaram a música popular quarenta anos atrás, o advento do computador e das ferramentas de produção estão democratizando o estúdio.”

“Hoje, milhões de pessoas lançam publicações diárias para um público que, no conjunto, é maior que o de qualquer veículo da grande mídia. Por sua vez, os blogs são consequência da democratização das ferramentas: o advento de softwares e de serviços simples e baratos que facilitam a tal ponto a editoração online que ela se torna acessível a todos.”

“O mesmo se aplica à edição e impressão de fotos por computador, a video-games que estimulam os jogadores a criar e a compartilhar suas próprias alternativas e à publicação de livros impressos por encomenda.”

“A consequência de tudo isso é que estamos deixando de ser apenas consumidores passivos para passar a atuar como produtores ativos. E o estamos fazendo por puro amor pela coisa (a palavra “amador” vem do latim amator, “amante”, de amare). O fenômeno se manifesta por toda parte — a extensão em que os blogs amadores estão disputando a atenção do público com a grande mídia, em que as pequenas bandas estão lançando músicas sem selo de gravadora e em que os colegas consumidores dominam as avaliações online de produtos e serviços é como se a configuração básica da produção tivesse mudado de “Conquiste o direito de fazê-lo” para “O que o está impedindo de fazer?”.”

“Uma coisa é assistir a um filme ou ouvir uma música e pensar em “gênios” — que alguém muito especial com extraordinário aparato de produção criou essa obra-prima sem igual, que nos marcou com tanta profundidade. No entanto, quando sabemos o que acontece nos bastidores, começamos a perceber que também nós podemos ser os gênios privilegiados. Inspiramo-nos a criar quando as ferramentas de produção são transparentes.”

“Hoje, milhões de pessoas comuns tem as ferramentas e os modelos para se tornarem produtores amadores. Algumas também terão talento e visão. Como os meios de produção se difundiram com tamanha amplitude, entre tantas pessoas, os talentosos e visionários, ainda que representem uma pequena fração do total, já são uma força a ser levada em conta.”

“O FENÔMENO DA WIKIPEDÍA”

“Em janeiro de 2001, um próspero operador de opções, chamado Jimmy Wales, decidiu construir unia grande enciclopédia online de uma maneira inteiramente nova […]. Essa enciclopédia estaria disponível de graça para todo o mundo; e seria criada não por especialistas e editores, mas por todos que quisessem contribuir. Wales começou com poucas dezenas de artigos pré-escritos e um software aplicativo chamado Wiki (palavra havaiana que significa “rápido” ou “veloz”), que cria condições para que qualquer pessoa com acesso a Internet entre num site, edite, apague ou aumente seu conteúdo.”

“[…] Tudo começou com uns poucos polímatas solitários que ousaram tentar o impossível. […] O estudioso chinês Tu Yu escreveu sozinho sua enciclopédia no século IX. E, no século XVIII, Diderot e alguns amigos (inclusive Voltaire e Rousseau) demoraram 29 anos para criar a Encyclopédie, ou Dictionnaire Raisonné des Sciences, des Arts e des Métiers.”

“O trabalho individual aos poucos evoluiu em grandes empreendimentos de equipe, sobretudo depois da chegada da Revolução Industrial. Em Hns do século XVIII, vários membros do Iluminismo Escocês começaram a aplicar os princípios industriais da  Administração científica e as lições da linha de montagem à criação de uma enciclopédia que o mundo nunca vira antes. […]Recrutaram-se grupos de especialistas para escrever artigos acadêmicos, sob a direção de um gestor, tudo planejado, organizado e coordenado por minuciosos diagramas de trabalho.”

“Agora, Wales lançou um terceiro modelo: a enciclopédia aberta e coletiva. Em vez de basear-se numa única pessoa inteligente ou num grupo de indivíduos privilegiados, a Wikipedia explora os conhecimentos de milhares de pessoas de todos os tipos”

“Conforme afirmou o escritor Daniel Pink: […]A maioria das enciclopédias começa a fossilizar-se no momento em que se imprimem suas páginas. No entanto, por meio do software Wiki e da colaboração de muita gente, obtém-se algo auto-regenerativo e quase vivo. Esse modelo de produção diferente cria um produto fluido, rápido, renovável e gratuito.”

“Esse tipo de mudança, de ressentimento passivo para participação ativa, faz enorme diferença. Reformulando a velha piada sobre o tempo, todos se queixam da enciclopédia, e agora pode-se fazer alguma coisa para melhorá-la.”

“A ERA PROBABILÍSTICA”

“A Wikipedia, como o Google e a sabedoria coletiva de milhões de blogs, opera com base na lógica exótica da estatística probabilística, ou seja, em que se trata mais de probabilidade do que de certeza. Porém, nosso cérebro não está preparado para raciocinar em termos de estatística e probabilidade. Queremos saber se o verbete de uma enciclopédia está certo ou errado. Fazemos questão de que haja algo sábio (de preferência humano) orientando os resultados do Google.”

“Os sistemas baseados na probabilidade são, para usar o termo de Kevin Kelly, “out of control” (incontroláveis). Em seu livro pioneiro, de mesmo nome, ele examina vários exemplos, desde sistemas democráticos até bandos de aves, em que a ordem parece emergir do caos, aparentemente revertendo o sentido da entropia. Embora o livro já tenha mais de 12 anos, daqui a algumas décadas ainda consideraremos seus insights surpreendentes. Seja como for, ele está certo.”

“Mas, afinal, a Wikipedia é sancionada por autoridades no assunto e, portanto, é absolutamente confiável e fidedigna? Bem, não.”

“As maiores falhas da Britannica são de omissão, não de ação. Ela é superficial em algumas categorias e ultrapassada em muitas outras. E, então, há os milhões de verbetes que simplesmente não existem — e não podem existir, em face de seu processo editorial. Mas a Wikipedia pode ampliar-se constantemente para incluir esses verbetes e muitos outros. E é atualizada o tempo todo.”

“A vantagem dos sistemas probabilísticos é que eles se beneficiam da sabedoria das multidões e, em consequência, podem aumentar de escala, tanto em amplitude quanto em profundidade. No entanto, como essa característica sacrifica a certeza absoluta em microescala, é preciso considerar cada resultado isolado cora ura pouco de dúvida. A Wikipedia deve ser a primeira fonte de informação, mas não a última”.

“O PODER DA PRODUÇÃO COLABORATIVA”

“A essência da questão não é que todos os verbetes da Wikipedia sejam probabilísticos, mas que toda a enciclopédia se comporta de maneira probabilística. As chances de se acessar um verbete substancioso, atualizado e exato da Wikipedia referente a qualquer assunto são excelentes, ainda que nem todos os verbetes sejam notáveis.”

“O que torna a Wikipedia de fato extraordinária é sua capacidade de melhorar com o tempo, curando-se organicamente, como se seu enorme exército, em rápido crescimento, de colaboradores espontâneos fosse um sistema imunológico, sempre vigilante e ágil na reação a qualquer coisa que ameace o organismo.”

“O verdadeiro milagre da Wikipedia é que esse sistema aberto de contribuições e edições de usuários amadores não descamba simplesmente para a anarquia. Ao contrário, de alguma maneira ela se converteu, por auto-organização, na mais abrangente enciclopédia da história.”

“Os autores da Wikipedia tendem a ser pessoas liberais, entusiasticamente engajadas e motivadas pela oportunidade de melhorar o conhecimento público de algum assunto de que são aficionados e profundos conhecedores, população que, em apenas cinco anos, se multiplicou por mil, com a invasão de amadores capacitados, que passaram a contar com as novas ferramentas simples e democráticas de produção de enciclopédias: um browser e uma conexão com a Internet.”

“A ECONOMIA DA REPUTAÇÃO”

“Pode-se refletir sobre a Cauda Longa como algo que começa como economia monetária tradicional na cabeça e que termina como economia não-monetária na cauda. Entre os dois extremos, predomina uma mistura de ambos os modelos.”

“[…] Esse é o domínio dos profissionais e, como tal, por mais que os produtores amem a profissão, trata-se também de trabalho e de fonte de renda. Os custos de produção e de distribuição são altos demais para que a economia fique em segundo plano em relação à criatividade. O dinheiro impulsiona o processo.”

“Embaixo, na cauda, onde os custos de produção e distribuição são baixos, graças ao poder democratizante das tecnologias digitais, os aspectos de negócios geralmente são secundários. Em vez disso, as pessoas criam por várias outras razões—expressão, diversão, experimentação etc. A razão por que o fenômeno assume características de economia e a existência de uma moeda no reino capaz de ser tão motivadora quanto o dinheiro: reputação. Medida pelo grau de atenção atraída pelo produto, a reputação pode ser convertida em outras coisas de valor: trabalho, estabilidade, público e ofertas lucrativas de todos os tipos.”

“Em suma, alguns criadores se importam com direitos de propriedade intelectual e outros não. No entanto, a lei não os distingue — os direitos de propriedade intelectual são  automaticamente reconhecidos e protegidos, a não ser no caso de renúncia expressa. Em consequência, o poder da gratuidade é obscurecido pelo medo de acusações de pirataria e geralmente é visto cora suspeita, quanto mais não seja por evocar ecos dos velhos slogans do comunismo e do movimento hippie.”

“AUTO-EDITORAÇÃO SEM ACANHAMENTO”

“Encaramos os livros sob lentes comerciais, presumindo que a maioria dos autores quer escrever um best-seller e ficar rico. Mas a realidade é que a grande maioria dos autores não só não participará da lista dos mais vendidos, mas também nem mesmo pretende escrever um livro de enorme popularidade. Anualmente, publicam-se em inglês cerca de 200 mil livros por ano. Menos de 20 mil estarão à venda nas livrarias médias e a maioria não venderá.”

“A busca por aceitação no mercado de massa exige concessões — a disposição para abordar questões de amplo interesse, em vez das que atraem apenas uma pequena minoria, e escrever em tom coloquial, em vez de era estilo acadêmico.”

“No entanto, mesmo essas publicações sem fins lucrativos podem dar dinheiro. O livro passa a ser não o produto de valor em si, mas a propaganda do produto de valor — os próprios autores.”

“No entanto, a maioria dos autores ainda não usa esses serviços de auto-editoração para ganhar dinheiro, nem espera grande sucesso.”

“Os efeitos do fenômeno estão sendo sentidos em toda a indústria, atingindo até as maiores livrarias. Em 2005, a Barns & Noble vendeu 20% a mais em títulos exclusivos que em 2004, fenômeno que seu CEO, Steve Riggio, atribui a três forças: a eficiência da impressão sob encomenda, que mantém as impressoras mais ocupadas; o aumento no número de pequenas editoras independentes e a auto-editoração.”

“Uma das grandes diferenças entre a cabeça e a cauda dos produtores é que, quanto mais se desce na cauda, maior é a probabilidade de que se tenha de manter outro trabalho regular. E não há nada de errado nisso. A diferença entre produtores “profissionais” e “amadores” torna-se cada vez mais nebulosa e é bem possível que acabe perdendo a relevância.”

“Desde cineastas até bloguistas, produtores de todos os tipos, que começam na cauda, com poucas expectativas de sucesso comercial, podem dar-se ao luxo de correr riscos, pois têm menos a perder. Não há necessidade de licença prévia, de plano de negócios nem mesmo de capital. As ferramentas da criatividade agora são baratas e, ao contrário do que imaginávamos, o talento se distribui de maneira mais dispersa. Sob esse aspecto, a Cauda Longa talvez se transforme na área crucial da criatividade, lugar onde as ideias se formam e se desenvolvem, antes de se transformarem em sucessos comerciais.”

FIM

Quem sou eu?

Este blog, criado com o intuito de compartilhar fichamentos e outros materiais da disciplina de Produção Publicitária em Mídias digitais, precisa de uma descrição daquele que voz fala, então serei breve.

Rick Andrade, estudante de Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda (6º semestre), atualmente estagia na Quitanda das Artes – Agência e Produtora Cultural, escreve de vez em quando sobre a vida, seus ciclos e desventuras, reais ou imaginárias.